Custos fixos e variáveis, Custos diretos e indiretos

Custos fixos e variáveis, custos diretos e indiretos. As diferenças

Quer estejamos a montar um novo negócio quer estejamos a avaliar os resultados do negócio que está em andamento, é importante que saibamos analisar os custos fixos e variáveis. Também importa saber a diferença entre custos e despesas, custos diretos e indiretos. O sucesso do negócio depende muito do planeamento, do controlo dos gastos e da gestão financeira que se faz do mesmo.

Tempo estimado de leitura: 9 minutes

Qual a diferença entre custos fixos e variáveis?

O custo fixo é o custo que não depende dos aumentos ou reduções do volume de vendas ou de produção da atividade.

O custo variável, ao invés, varia, como o nome indica, com as variações que ocorrem na produção ou nas vendas.

Quais são então os custos fixos?

O custo fixo é o que se mantém ao longo do tempo, independentemente das vendas ou da produção aumentarem ou diminuírem.

Por exemplo, o que pagamos de renda do espaço, não depende do que estamos a vender e a produzir, seja pouco ou muito. A fatura a pagar mantem-se sempre igual fixa portanto.

Exemplos de custo fixo:

  • Manutenção de equipamentos, do imóvel e da estrutura;
  • Mão de Obra;
  • Serviços de segurança e limpeza;
  • Alugueres de espaço, viaturas;
  • Benefícios suplementares dos recursos humanos, como seja vale-combustível, vale-refeição e outros benefícios;
  • Consumo de energia elétrica, telefone e internet;
  • Seguros de acidentes pessoais, de saúde, etc.;
  • Custos com servidores, equipamento informático, plataformas e software;
  • Entre outros.

Estes encargos são essenciais para o funcionamento da empresa e, por isso, também são conhecidos como custos de estrutura.

São custos que devem estar sob a mira dos gestores pois, se proporcionalmente aos custos variáveis estes custos fixos forem muito elevados, significa que os custos estruturais são significativos.

Por isso, poderia ser necessário torná-los mais flexíveis, convertendo-os em custos variáveis ou reduzindo o seu valor, sob pena do negócio se tornar inviável.

Quais são os custos variáveis de uma empresa?

Ao contrário do custo fixo o custo variável aumenta ou diminui, conforme a variação da produção ou da prestação de serviços que a empresa presta.

São exemplos de custo variável:

  • Energia elétrica e água – caso a produção dependa disso;
  • Horas extras pagas aos colaboradores;
  • Salários pagos a funcionários que são contratados temporariamente para fazer face a picos de produção;
  • Matéria prima utilizada;
  • Custos inerentes à logística e entrega das mercadorias;
  • Comissões de vendas;
  • Entre outros.

Há também custos semi-variáveis, isto é, não aumentam na proporção dos custos variáveis. Acompanham o volume de produção, mas com uma proporcionalidade diferente.

Estes exemplos podem não ser adequados a todos os negócios. A energia elétrica gasta num escritório é um custo fixo, mas numa empresa industrial que requer energia para o fabrico dos produtos, é considerado um custo variável.

Como calcular o custo fixo e variável

No restaurante que temos utilizado como exemplo, delineamos um plano de vendas  em que iremos vender 143.493€ no ano de cruzeiro.

O detalhe destes proveitos apresenta-se no quadro seguinte:

Plano de Vendas exemplo restaurante ano velocidade cruzeiro
Plano de Vendas exemplo restaurante ano velocidade cruzeiro

Calcular o preço unitário médio de venda

Com o número de produtos e serviços a vender por dia e o número de dias por ano em que cada um destes produtos será vendido, podemos calcular o valor a vender no final do ano:

  • 25 refeições por dia x 300 dias = 7500 refeições
  • 30 x 300 = 9000 bebidas
  • 30 x 12= 360 eventos especiais
  • 20 x 300= 6000 confeitaria e pequenos-almoços
  • 15 x 300 = 4500 sobremesas
  • 25 x 15 = 375 jantares de grupo
  • 30 x 100 = 3000 jantares de sexta e sábado

Ou seja, um total anual de 30.735 produtos ou eventos o que significa:

Preço unitário médio de venda = 143.493€ / 30.735 = 4,67€

Calcular o custo variável médio unitário

Os custos que calculamos para produzir esses produtos são os seguintes:

Custos Variáveis
Custos Variáveis

O custo variável é assim de 30.225€ e que corresponde a 30.735 produtos produzidos, ou seja:

Custo variável médio unitário do produto = 30.225€/30.735 = 0,983€

Se vendermos cada produto em média por 4,67€ com um custo variável médio de 0,983€, o lucro bruto médio unitário é de 3,687€.

Multiplicando este valor pelo número total de produtos 30.735 o lucro bruto anual será de 113.268€.

Como a matemática é uma ciência rigorosa, este é precisamente o valor que calculámos quando fizemos os cálculos da Margem Bruta.

Margem Bruta = 113.268€ / 143.492€ = 79%

Como calcular o custo fixo médio unitário

Continuemos com o exemplo do nosso restaurante e vejamos o que os Fornecimentos e Serviços Externos nos indicam:

Fornecimentos e Serviços Externos
Fornecimentos e Serviços Externos

Os custos aqui considerados enquadram-se nos custos fixos do nosso negócio e têm um valor 32.284€.

Vejamos outros dos custos que são normalmente fixos, os custos de mão de obra.

Custos de Mão de Obra
Custos de Mão de Obra

Somando este custo com o anterior:

Custos Fixos = 32.284€ + 44.179€ = 76.463€

Custo fixo médio unitário = 76.463€ / 30.735 = 2,49€

Finalmente,

Custos totais = 76.463€ (custo fixo) + 30.225€ (custo variável) = 106.688€

Custo unitário total = 106.688€ / 30.735 = 3,47€

A importância de diferenciar os custos fixos e variáveis

Diferenciar os custos fixos dos variáveis é importante para poder-se planear melhor a evolução do negócio e conhecer o impacto do volume de vendas e da produção nesses custos.

Com esta análise conseguimos verificar a necessidade de rever os preços e reajustar se necessário cada um dos custos, ou seja se devem manter-se como variáveis ou fixos e se há necessidade de uma estratégia de redução destas despesas para melhorar a rentabilidade.

Impacto nos custos por alteração das vendas e produção

Por exemplo, se quisermos fazer uma avaliação de qual será o custo médio se, em vez de vendermos 30.735 produtos por ano, vendermos 35.000?

O custo fixo anual será o mesmo 76.463€, admitindo que não serão necessárias mais pessoas e o custo variável será custo unitário variável multiplicado pelo número de produtos.

76.464€ (custo fixo) + 35.000 x 0,983€ (custo variável) = 76.464€ + 34.405€ = 110.284€ (custo total)

O novo custo fixo médio unitário será então = 76.463€ / 35.000 = 2,18€

Como o custo fixo não varia com o aumento de produção, significa que o custo fixo médio unitário vai diminuir com o aumento de produção. Passou do valor de 2,49€ para 2,18€.

O custo variável unitário mantém-se porque varia conforme a variação de produtos fabricados ou produzidos

Novo Custo total médio unitário = 110.284€ / 35.000 = 3,15€

Passou de um custo total médio 3,47€ para 3,15€.

Por isso é correta a afirmação: quanto mais se vende mais se ganha, isto é, maior é o lucro.

Maior venda implica maior produção que, com os mesmos custos fixos, faz diminuir o custo total unitário e para o mesmo preço de venda fará aumentar o lucro.

Com mais vendas e maior produção a empresa pode ter maior rentabilidade ou, fazendo diminuir o preço passar a ter maior competitividade.

É claro que o aumento de produção pode, a partir de determinado valor, inviabilizar que se mantenham os mesmos custos fixos, por exemplo se isso obrigar a ajustar a mão de obra necessária.

Neste exemplo a mão de obra necessária para produzir e vender 30.735 produtos são 4 pessoas (1 gerente e mais 3 colaboradores) e é possível que possam produzir um pouco mais.

Dentro desses limites são um custo fixo, pois mesmo que a produção seja menor terão de continuar no quadro de pessoal.

Se houver picos de produção, e se for possível haver mais mão de obra que, trabalhando temporariamente durante esse período consiga garantir a produção.

Neste caso a mão de obra será um custo variável porque pode ser ajustada para mais e para menos, ao volume de produção.

Também pode ser resolvida esta capacidade com a utilização de horas extraordinárias na medida em que sejam necessárias e, por isso, consideradas custos variáveis.

As economias de escala

A empresa deve ser capaz de calcular o nível ótimo de produção, para obter o que se designa economia de escala.

Esse será o nível que minimiza os custos unitários da produção.

Custos diretos e indiretos

Outra classificação que se utiliza em contabilidade analítica é a dos custos diretos e indiretos.

Os custos diretos são os custos que se podem afetar ou imputar a uma atividade, como por exemplo o custo da matéria-prima. Normalmente estes custos são variáveis.

Os custos indiretos são os custos que não podem ser imputados especificamente a uma atividade ou serviço, como por exemplo os gastos gerais de fabrico. Normalmente estes custos são fixos.

Despesas e receitas, pagamentos e recebimentos, custos e proveitos, quais as diferenças

As receitas da empresa resultam das vendas de produtos e serviços.

A receita ou proveito é o direito a receber um valor pela transação.

Despesas ou custos são as obrigações de pagar por um produto ou serviço recebido.

  • Custos e proveitos, são da área económica
  • Despesas e receitas, pagamentos e recebimentos são da área financeira.

Em inglês o recebimento é um “cash in flow”, ou seja, é dinheiro que entra na empresa.

Pagamento é um “cash out flow”, ou seja, um fluxo de dinheiro que sai da empresa.

Esta é uma diferença importante porque quando entra ou sai dinheiro é uma questão de tesouraria, portanto uma questão financeira.

Já um proveito é o direito a receber, isto é, o dinheiro ainda não entrou na empresa. Já vendemos e adquirimos o direito a receber. Economicamente vendemos, mas se o cliente não pagar esse proveito não se efetua e passa a ser uma dívida.

Os custos são gastos que trazem retorno financeiro porque pertencem à atividade da empresa.

A despesa é um gasto numa atividade que não gera retorno financeiro, pelo menos diretamente. Apenas traz um certo conforto ou funcionalidade ao ambiente empresarial.

Por exemplo, um prémio de um colaborador não gera retorno, mas pode levar a que o seu empenho e satisfação sejam maiores, o que poderá trazer maior produtividade e novas ideias, que podem vir a ser importantes para a atividade.

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