Soror Mariana Alcoforado e as Cartas de Amor

Mariana Mendes da Costa Alcoforado, nasceu, viveu e morreu em Beja. Nasceu em 22 de abril de 1640 e morreu com 83 anos, em 28 de Julho de 1723. Foi Freira, no Convento da Conceição em Beja e por isso passou a ser chamada, Soror Mariana Alcoforado.

Tempo de leitura: 4 minutes

A Bejense Mariana Alcoforado

Mariana Alcoforado era filha de Francisco da Costa Alcoforado, um nobre transmontano dos Cortiços em Macedo de Cavaleiros, armado Cavaleiro da Ordem de Cristo, antiga Ordem do Templo, em dezembro de 1647 e da bejense Leonor Mendes.

Foi batizada em Beja, na Igreja de Santa Maria e o padrinho foi D. Francisco da Gama, Conde da Vidigueira e bisneto de Vasco da Gama.

A família Alcoforado era uma das famílias poderosa em Portugal e foi uma das que se bateu pela independência de Portugal em 1640.

Soror Mariana Alcoforado no Convento da Conceição

Foi obrigada a entrar para o Convento de Nossa Senhora da Conceição, com 11 anos de idade. Em parte, para ficar a salvo da guerra com Espanha na sequência da Restauração mas, também, para honrar o testamento da mãe que queria vê-la freira neste Convento.

Convento da Conceição
Imagem 1. Convento da Conceição, Foto SIPA 00815264

Não tinha grande inclinação religiosa mas, naquela época, muitos homens e mulheres eram encerrados em Conventos e Mosteiros, por decisão dos pais.

Mariana Alcoforado fez o noviciado e professou aos 16 anos.

Nada podendo fazer contra a decisão do pai, sempre anseou sair da clausura do Convento e viver em liberdade.

Pelos dotes que possuía, a freira foi sempre encarregue dos cargos de escrivã e vigária.

Pelas boas obras que prestou ao Convento, veio a obter o título de Soror Mariana Alcoforado.

Já no final da sua vida, em Março de 1723, com 83 anos, assina as suas últimas “contas do trimestre” no Convento da Conceição.

A Guerra da Restauração de 1640

Na sequência desta guerra, que só veio a terminar em 1668, chega a Beja um Regimento francês que apoiava o Rei de Portugal.

A freira Mariana Alcoforado, num desses dias em que o Regimento estacionou em Beja, estava sentada à janela e cruzou olhares com um jovem oficial francês, o nobre Noel Buton. Esta janela tem hoje o nome de “janela de Mértola”.

Janela de Soror Mariana Alcaforado
Imagem 2. Janela de Soror Mariana Alcaforado, Foto CC de Georges Jansoone

Mariana, então com 20 anos, não resistiu à paixão imediata que se seguiu a essa troca de olhares. Louca de amor, introduziu Bouton na sua cela em total segredo, por várias vezes, até que foi descoberta.

A notícia correu rápida e foi um escândalo na bela cidade de Beja.

Bouton, com receio do poder da família dos Alcoforados, saiu de Portugal e prometeu a Mariana que a mandaria buscar.

Sozinha, enclausurada no Convento, sem apoio de ninguém, Mariana Alcoforado foi escrevendo ao seu amor, enquanto esperava por ele.

Desta espera, primeiro cheia de esperança, depois com alguma incerteza e, finalmente, já exasperada e convicta do abandono do seu único amor, nasceram as 5 cartas de amor, escritas em francês para o seu cavaleiro Bouton.

Filme do António João Paisana, um filho de Beja, que nos faz recordar esta época!

As Cartas de Amor

“As Cartas” de Mariana Alcoforado, dirigidas ao Marquês Noel Bouton de Chamilly, Conde de Saint-Léger, foram publicadas em França, com o título “Lettres Portugueses”, em 4 de janeiro de 1669, envoltas em alguma polémica quanto à sua autoria.

Em 1923 existiam 130 edições em várias línguas.

Uma vida inteira, num raio de 100 passos

Desde que nasceu até à morte, a freira Mariana não saiu de um circuito de cerca de 100 passos. De facto quer a sua casa, quer a Igreja onde foi batizada e, por fim, a sua clausura no Convento da Conceição, distam entre si 100 passos.

A Câmara de Beja, entre outros promotores, inaugurou a exposição permanente “100 passos” no Convento de Nossa Senhora da Conceição, atual Museu Rainha D. Leonor e Museu de Beja. A exposição está patente até 31 de dezembro de 2019.

Cartas de Amor de Mariana Alcoforado

Cartas de Amor de Soror Mariana Alcoforado, livro em formato digital.

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1 thought on “Soror Mariana Alcoforado e as Cartas de Amor”

  1. antonio luis alves(o fantasma)

    Em português.
    fico agradecido por poder continuar a ler e aprender aquilo que mais gosto. História,Prosa e poesia

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