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As Ruínas Romanas de Milreu em Estoi no Algarve

Ruínas Romanas de Milreu; Autor Master Fixe; CC BY-SA 4.0

As ruínas romanas de Milreu, de onde se avista o monumental Palácio de Estoi, são um complexo de grande valor histórico com uma zona urbana que inclui a residência e área termal, um templo e uma zona rústica, onde se produzia azeite e vinho. São famosos os painéis de mosaico coloridos, representando formas geométricas e fauna marítima.

A Villa Romana

A Oeste do jardim do Palácio de Estoi, estão as ruínas romanas de Milreu onde, outrora, foi edificada uma espécie de Palácio, conhecido ao tempo romano por Villae ou Villa.

Esta antiga Villa (casa de campo) foi construída por uma família romana abastada e poderosa que escolheu esta zona por ser mais afastada da zona marítima e, por isso, menos sujeita a incursões e piratarias que existiam na época.

Além da habitação do senhor, incluía construções destinadas à exploração agrícola.

A Villa tinha a sua própria zona de defesa, muralhada e certamente guardada por centuriões romanos.

O complexo urbano e rústico, na margem esquerda do Rio Seco, teria provavelmente na margem direita uma importante estrada romana que ligava Ossonoba (no subsolo de Faro) a Pax Julia (Beja).

Haveria, também, uma estrada que ligava esta Villa de Milreu à zona portuária de Ossonoba, permitindo assim todo o comércio entre a Península Ibérica e Roma.

É uma casa com peristilo (pátio rodeado por um pórtico) com 22 colunas que constituem o centro da zona social da casa.

História da Conquista e Reconquista do Algarve

A civilização romana expandiu-se para fora de Roma, constituindo o Império Romano. Nessa campanha de conquista romana, a invasão da Península Ibérica iniciou-se durante as Guerras Púnicas.

O território Português ficou controlado pela Civilização Romana no primeiro século após o Nascimento de Cristo.

Busto de Jovem Romana
Busto de Jovem Romana; Bextrel, Portugal; CC BY-SA 4.0

A Guerra Lusitana começou em 155 a.C. e terminou no século I d.C.

Esta região Algarvia tinha sido ocupada desde a Idade do Bronze e do Ferro e, por isso, a construção romana foi feita em cima de estruturas anteriores e ainda se encontram vestígios dessas fases.

A Civilização Romana entrou em declínio no século IV e seguiram-se as invasões dos povos germânicos.

Com as invasões dos Alanos, Vândalos e Suevos e, por fim, dos Visigodos, toda a Península Ibérica ficou dominada no século VII.

Seguiu-se a invasão da península, pelos povos islâmicos, a partir do ano 711.

A Reconquista do Algarve faz-se em 1249, com a conquista de Faro ao Califado Almóada, pelo Rei de Portugal, D. Afonso III.

Materiais Construtivos da Villa

Podemos ver que os materiais mais usados na construção e presentes nas ruínas romanas de Milreu, são o cimento romano e o tijolo.

São materiais que ainda se usam atualmente, embora o cimento romano tenha características superiores ao cimento atual.

Assim, o Opus caementicium (cimento romano) era mais resistente à erosão e menos susceptível de criar ranhuras. Mais resistente à presença da água do mar e mais amigo do ambiente.

Outro material muito utilizado é o mármore. Para as colunas serve como como elemento arquitetural e decorativo.

Utilizam-se também, painéis de mosaico para revestirem e embelezarem quer o chão quer as paredes da casa, do templo e das termas.

As termas eram uma parte muito importante do bem estar das pessoas abastadas. Não só tinham intuitos higiénicos como, também, de tratamento e de socialização.

A representação de fauna marítima nos mosaicos das termas foi feita de forma que à primeira vista parece imperfeita mas, na realidade, tratava-se de criar uma ilusão de movimento quando se viam através da água.

Mosaico Fauna Marinha Ruinas Romanas de Milreu
Mosaico Fauna Marinha Ruinas Romanas de Milreu; Bextrel, Portugal; CC BY-SA 4.0

A utilização de motivos marinhos em todo o complexo pode justificar-se pela proximidade à zona portuária de Ossonoba (Faro) e à riqueza piscícola desta zona que ainda hoje se mantém.

As Termas

Faziam parte do ritual diário dos romanos.

As termas de Milreu, foram construídas na zona ocidental da casa para beneficiar da exposição solar ao final do dia.

Os romanos utilizavam uma sequência de piscinas com água a temperaturas diferentes. A sala dos banhos tépidos (tepidarium), dos banhos quentes (caldarium) e dos banhos frios (frigidarium).

Frigidarium
Ruinas Romanas de Milreu-Frigidarium; Carole Raddato, Frankfurt, Alemanha; CC BY-SA 2.0

Todas estas estruturas eram providas de águas de nascentes e com canalizações que distribuíam a água para as termas e cozinhas.

Uma fornalha, alimentada a carvão ou lenha, fornecia o calor para aquecer as águas e o chão das termas, na zona do caldarium e tepedarium.

Também estava presente a sauna (laconium).

Alojamentos dos Trabalhadores

Os trabalhadores quer no apoio doméstico à Villa quer na segurança quer na parte produtiva, estavam sob a proteção do dono do complexo.

Por isso a chamada família rústica, com servos, escravos e trabalhadores sazonais permaneciam em residências construídas na periferia da Villa de Milreu.

O Templo

Erguido no século IV, o edifício religioso construído em tijolo maciço, foi dedicado ao culto das águas e das Ninfas.

Constituía um sinal inequívoco da opulência da Villa de Milreu, já que a maioria das Villas não tinham um local edificado especificamente para o culto religioso.

É o ex-libris destas ruínas romanas de Milreu!

O Templo da Villa de Milreu
O Templo da Villa de Milreu; Masterfixe; CC BY-SA 4.0

Área Rural e Produtiva

A Villa de Milreu além da parte residencial e religiosa (a pars urbana) tinha uma área com instalações agrícolas (pars rustica).

Era nesta pars rustica que se produziam os produtos agrícolas.

Para além do gado e dos laranjais ainda existentes, identificam-se estruturas para a produção de vinho e azeite.

O lagar de azeite incluía 5 prensas sendo o azeite conduzido por canais e tubos de chumbo para 36 talhas existentes nas caves (celária) onde se mantinha o azeite à temperatura e humidade ideais.

O azeite era utilizado pelos romanos para alimentação, higiene corporal e iluminação.

Também se identificaram um tanque para a pisa da uva e outro para o mosto.

O vinho era fermentado em tanques e armazenado em talhas.

A produção de vinho parece ter sido importante, levando a que o vinho pudesse ser comercializado.

Localização

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