Lisboa Antiga Antes de Cristo Castelo

Lisboa Antiga de Fenícios, Cartagineses e Romanos

Por Lisboa antiga, de Antes de Cristo (a.C.), passaram Fenícios, Cartagineses e Romanos. Depois de Atenas, que começou a ser povoada cerca de 5000 a.C., Lisboa é a mais antiga das capitais da União Europeia (EU) cerca de 1200 a.C.. A fundação de Roma ocorreu 4 séculos depois e Madrid no Século IX d.C.. Lisboa que se tornou Fenícia, Cartaginesa e Romana.

Durante milhares de anos Lisboa foi um porto seguro da Europa e das civilizações mediterrânicas.

Um local conhecido e o último ponto da plataforma continental antes de um mar gigante que aterrorizava mesmo os mais ousados navegadores.

Tempo de leitura estimado: 8 minutes

Civilização Fenícia

A Fenícia foi uma das principais civilizações antigas, situada nos atuais territórios da Tunísia, Síria, Líbano e norte de Israel.

Território Fenício Fonte Kordas Wikimedia Commons
Território Fenício; Fonte: Kordas, Wikimedia Commons

Foram um povo com uma cultura mercantil e marítima que abrangeu todo o mediterrânio entre 1.500 a.C. e 300 a.C.

Deixaram-nos também o legado da sua escrita, o alfabeto Fenício.

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Alfabeto Fenício; Fonte Luca Wikipedia Commons
Alfabeto Fenício; Fonte: Luca, Wikimedia Commons

Este foi o primeiro alfabeto fonético e que é considerado como o que deu origem aos restantes alfabetos modernos.

As vogais ainda não estavam representadas e só apareceram mais tarde pelos gregos.

Como consequência do comércio marítimo os Fenícios levaram consigo o alfabeto aos locais onde aportavam, no Norte de África, em vários locais na Europa e também na Península Ibérica.

Há em Lisboa a descoberta recente de uma estela Fenícia localizada no Campo das Cebolas.

O alfabeto Fenício acabou por ser adotado pelos Gregos que os ensinaram aos etruscos que, por sua vez, os levaram aos romanos.

Os Fenícios utilizavam as Galés para poderem comerciar por todo o Mediterrâneo.

Galé Fenícia; Fonte: Pinterest
Galé Fenícia; Fonte: Pinterest

Movidas a remos e com uma vela, inventaram as embarcações que eram movidas com Birremes e Trirremes.

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Galé Birreme Fenicia; Fonte: Pinterest
Galé Birreme Fenicia; Fonte: Pinterest

Neste tempo eram as melhores embarcações que existiam, com cerca de 30 a 35 metros de comprimento e podendo utilizar duas ou três linhas de remadores, aumentando muito a sua rapidez.

A frota de barcos mercantis e de guerra era numerosa para permitir a soberania Fenícia sobre o Mediterrâneo até chegarem a esta Lisboa antiga!

A maior parte destes barcos eram de ricos comerciantes que detinham também escravos como remadores.

A organização política da Fenícia era baseada nos clãs familiares que detinham a riqueza e o poder militar.

A capital foi Biblos.

Localização e Rotas Comerciais Fenícia Fonte DooFi Wikimedia Commons
Localização e Rotas Comerciais, Fenícia; Fonte: DooFi, Wikimedia Commons

Mais tarde as galés seriam copiadas por gregos e romanos na disputa pelo domínio das rotas comerciais e do poder militar ao longo do Mediterrâneo.

A Lisboa Fenícia 

Comércio Fenício; Fonte: Phoenicia
Comércio Fenício; Fonte: Phoenicia

Os Fenícios criaram as suas feitorias comerciais no litoral da Península Ibérica, entre 1200 e 1100 a.C.

Lisboa, designada por Alis Ubbo significa em fenício “enseada amena” e o Rio Tejo era designado por Taghi, significando “boa pescaria”.

Os romanos mudaram o nome do rio para Tagus e os árabes para Tagr.

O rio Tejo é o maior rio da Península Ibérica, como 1.007 km de extensão e tem o maior estuário da Europa com 340Km2, chamado o “Mar da Palha”.

O mercantilismo marítimo era a atividade comercial principal dos Fenícios, com intercâmbio nas Ilhas de Creta, Chipre, Malta, Córsega, Sicília, Sardenha, na África mediterrânica e na Península Ibérica.

Um povo que preferia dominar pelo comércio a invadir e tomar à força os locais onde negociavam.

A Lisboa Cartaginesa

Entretanto os Fenícios fundaram a cidade de Cartago na costa do golfo de Tunes.

Os Cartagineses estabeleceram-se sobretudo no sul da Península Ibérica, nas zonas da Andaluzia e Múrcia.

Ruinas de Cartago; Fonte: Patrick Verdier, Wikimedia Commons
Ruinas de Cartago, Capital do Império Cartaginês; Fonte: Patrick Verdier, Wikimedia Commons

Lisboa passou a ter além dos Fenícios, as incursões Cartaginesas.

Lisboa teve assim um desenvolvimento que permitiu passar de um simples entreposto comercial para um centro importante do comércio que se estendeu para os mares do Norte.

Cartago tinha o comércio de estanho, usado como componente do bronze, na Cornualha (atual Grã-Bretanha).

Em Lisboa podiam trocar por produtos como o sal, o peixe salgado e os cavalos.

Batalha de Zama; Fonte: Daderot, Wikimedia Commons
Batalha de Zama; Fonte: Daderot, Wikimedia Commons

Para além dos fenícios e cartagineses também chegaram a Lisboa os primeiros judeus já que muitos mercadores fenícios tinham sócios mercadores da Judeia

A Lisboa Antiga, a Romana Felicitas Julia

A vitória dos romanos sobre os cartagineses em 202 a.C. na “Batalha de Zama” (atual Tunísia) na segunda Guerra Púnica, fez com que os cartagineses saíssem da Península Ibérica e o Império Romano passou a dominar a Europa numa época que se designou por “Pax Romana”.

Em 205 a.C. os romanos chegaram a Lisboa que passou a chamar-se Felicitas Julia, a Lisboa Romana, embora os lusitanos continuassem a chamar de Olisipone ou Olissipo.

A conquista da Lusitânia pelos romanos foi complexa e longa.

A Lusitânia era uma região da Península Ibérica habitada pelos povos lusitanos desde o Neolítico.

Após a conquista romana, o termo Lusitânia passou a designar uma nova província romana, que incluía, além do território dos lusitanos, também as terras vizinhas.

A Lusitânia romana incluía aproximadamente todo o atual território português a sul do rio Douro, mais a Estremadura espanhola e parte da província de Salamanca.

Os romanos começaram por conquistar as terras do Leste e do Sul da Península Ibérica, mas a dificuldade da conquista foi aumentando ao chegar às tribos lusitanas que, habituadas a lutar entre si e, perante um inimigo comum, uniram-se no combate.

Reconstituição da Lisboa romana, a Felicitas Iulia, Olisipo, Lisboa Antiga; Fonte: César Figueiredo
Reconstituição da cidade romana de Felicitas Iulia, Olisipo; Fonte: César Figueiredo

A guerra lusitana foi um conflito armado entre a República Romana e os lusitanos e decorreu entre 155 a.C. – 139 a.C.

Os lusitanos rebelaram-se contra Roma em duas ocasiões (155 a.C. e 146 a.C.), mas no final os romanos impuseram a sua “Pax Romana”. A guerra foi marcada por muitas batalhas e confrontos sangrentos entre os dois lados.

Em 139 a.C. Viriato é morto e os seus seguidores rendem-se aos romanos que iniciaram a conquista final da Península Ibérica, liderados por Decimus Junius Brutus Gallaicus.

As principais resistências estavam concentradas na Serra da Estrela e na Galiza.

Ultrapassadas as resistências e conquistada Lisboa, Junius Brutus tentou recompensar os habitantes de Lisboa com a atribuição da cidadania romana, mas os lusitanos revoltaram.se e atacaram Lisboa várias vezes.

Junius Brutus mandou construir um cerco de muralhas para proteger a área urbana.

As primeiras muralhas do Castelo de São Jorge, que foi reconstruído várias vezes por diferentes povos e com nomes diversos, datam do século II a.C..

O Castelo em si só foi construído pelos mouros nos séculos X e XI.

O nome atual foi D. João I no século XIV que o atribuiu como devoção ao santo padroeiro dos cavaleiros e das cruzadas

Castelo de São Jorge, Lisboa antiga, a Lisboa romana; Fonte: Lisbon Tourist Information
Castelo de São Jorge, Lisboa; Fonte: Lisbon Tourist Information

Felicitas Julia passou a ser uma cidade importante para o Império Romano pelas suas características acidentadas.

A cidade das 7 colinas como Roma e com uma proteção natural do estuário do Tejo.

No final, os romanos conseguiram dar por conquistado o território da futura Lusitânia, abrindo caminho para uma transformação complexa, progressiva e sem precedentes na história.

A Lusitânia tornou-se uma província romana a partir de 29 a.C. até ao fim do vínculo com Roma e entrega aos Alanos em 411.

Lisboa antiga transformada em Lisboa romana era um porto importante para o comércio, como o sal, vinho, peixe salgado bem como o “garum” (molho de peixe apreciado pelos romanos). Também o cavalo lusitano era um dos elementos desta mercancia.

Ainda havia a possibilidade de encontrar e explorar o ouro e outras riquezas minerais nas minas situadas em Trás-os-Montes.

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