Levada na Ilha da Madeira

História da Ilha da Madeira

A descoberta da Ilha da Madeira é um marco significativo na história da navegação e da expansão marítima portuguesa. A Ilha da Madeira, um arquipélago encantador, possui uma história de descoberta tão fascinante quanto a sua paisagem natural.

Tempo de leitura: 7 minutes

A Descoberta da Ilha da Madeira

No início do século XV, Portugal estava em plena era das grandes navegações e o Infante D. Henrique, conhecido como o Navegador, planeava ir além da costa oeste africana.

Aconteceu que, em 1418, uma expedição liderada por João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira se desviou da rota original, ao longo da costa africana, devido a uma forte tempestade.

Após vários dias à deriva avistaram uma pequena ilha, a que chamaram Porto Santo.

Um acontecimento que se tornou um ponto de viragem na história da navegação portuguesa.

No ano seguinte, em 1419, os mesmos navegadores aos quais se juntou Bartolomeu Perestrelo, acompanhados das suas famílias e um pequeno grupo de pessoas, chegaram à Ilha da Madeira, após avistarem um aglomerado de nuvens que indicava haver ali terra.

Aportaram na baía de Machico, que se tornou o primeiro local de desembarque e, posteriormente, uma das três capitanias do arquipélago da Madeira.

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A ilha, desabitada, estava coberta por uma densa e luxuriante floresta.

Foi esta vegetação densa e rica que levou os descobridores a nomear a ilha de “Madeira”, refletindo um dos seus recursos naturais mais proeminentes, a floresta Laurissilva, hoje Património Mundial Natural da UNESCO.

Em 26 de setembro de 1433, o Rei D. Duarte doa ao Infante D. Henrique “todo o espiritual das ilhas da Madeira, Porto Santo e Deserta à Ordem de Cristo, a requerimento do dito infante, regedor e governador da mesma Ordem, e com reserva para o rei e para a Coroa do Reino, o foro, a dízima do pescado e todos os direitos reais”.

Carta de doação do rei D. Duarte ao Infante D. Henrique; Fonte Torre do Tombo, Chancelaria de D. Duarte
Carta de doação do rei D. Duarte ao Infante D. Henrique; Fonte: Torre do Tombo, Chancelaria de D. Duarte

Povoamento da Ilha da Madeira

O povoamento da ilha começou por volta de 1425, sob as ordens de D. João I de Portugal, com famílias vindas principalmente das regiões do Algarve e do Minho.

A Madeira rapidamente se tornou num ponto estratégico para as rotas comerciais europeias, especialmente após a introdução da cana-de-açúcar, que transformou a economia da ilha.

O sucesso do povoamento da Madeira levou à implementação do sistema de capitanias, dividindo a ilha em áreas sob a responsabilidade de diferentes capitães-donatários (como Tristão Vaz Teixeira, capitão do Machico, e João Gonçalves Zarco, capitão do Funchal).

Este sistema permitiu um desenvolvimento mais eficiente e organizado da ilha, com a construção de levadas para irrigação e o desenvolvimento da agricultura.

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Levada na Madeira Crédito Jörg Schmalenberger via Wikimedia Commons
Levada na Ilha da Madeira; Crédito: Jörg Schmalenberger via Wikimedia Commons

Ao longo dos séculos a Madeira foi evoluindo, superando desafios e aproveitando oportunidades, como a produção do famoso vinho da Madeira, no século XVII.

Hoje, o arquipélago é conhecido não só pela sua história e produção de vinho, mas também como um destino turístico de beleza natural exuberante.

A história da descoberta da Ilha da Madeira é um testemunho da coragem e da determinação dos navegadores portugueses e do papel de Portugal na Era das Descobertas.

É uma história que continua a fascinar e inspirar, refletindo o espírito aventureiro e a busca pelo desconhecido que caracterizou essa época de exploração.

Desenvolvimento

Os primeiros anos foram dedicados a desbravar a densa floresta de Laurissilva que cobria grande parte da ilha, criando espaço para a agricultura e a habitação.

Laurissilva da Ilha da Madeira Luis Miguel Rodrigues, CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons
Laurissilva da Ilha da Madeira; Crédito: Luis Miguel Rodrigues via Wikimedia Commons

Este processo não foi fácil, exigindo um esforço considerável para limpar a terra e construir as primeiras infraestruturas, como casas, armazéns e sistemas de irrigação conhecidos como levadas, que são canais que transportam a água das regiões montanhosas para as áreas agrícolas.

A agricultura tornou-se rapidamente a principal atividade dos colonos, com o trigo sendo o primeiro cultivo de destaque.

O solo fértil e o clima favorável permitiram que os colonos não só produzissem o suficiente para a sua subsistência, mas também exportassem trigo para o continente europeu.

Contudo, com o tempo, a produção de trigo entrou em declínio e os colonos tiveram de encontrar alternativas para sustentar a economia da ilha.

Foi então que a cana-de-açúcar foi introduzida, transformando a economia da Ilha da Madeira.

Cana sacarina
Cana sacarina

A ilha tornou-se um dos primeiros e mais importantes centros de produção de açúcar para a Europa, atraindo comerciantes e investidores.

No entanto a mão de obra existente não chegava e foi assim que escravos foram trazidos de várias partes da África para trabalhar nas plantações de cana-de-açúcar.

Além da agricultura, a pesca também desempenhou um papel fundamental na vida dos colonos, fornecendo uma fonte de alimento confiável e contribuindo para a economia local.

A Madeira, devido à sua localização estratégica no Atlântico, tornou-se um ponto de paragem  para as rotas comerciais entre a Europa e as Américas, o que teve grande influência no  desenvolvimento da Madeira.

O Açúcar na Ilha da Madeira

O cultivo da cana-de-açúcar surgiu algures na Papua Nova Guiné, há cerca de 12.000 anos. 

Desde então esta atividade espalhou-se até à Índia, onde se descobriu a forma de transformar sumo da cana sacarina em açúcar, por volta dos séculos I a IV D.C.

A partir desta zona asiática os árabes trouxeram a cana-de-açúcar e o processo de produção de açúcar para a zona mediterrânica.

A palavra açúcar tem aliás origem árabe, “as-sukkar” e passou a ser vulgarizado em Marrocos, Egipto e Sicília.

Açúcar e Escravatura

Inicialmente, até 1450, eram contratados trabalhadores trazidos de Marrocos e das Canárias para a Ilha da Madeira para derrubar árvores e transportar a madeira para as serrações.

Com a rápida expansão do açúcar tornou-se necessário, numa ótica hoje dita capitalista por ser mais barato e, por isso, mais lucrativo, trazer escravos da África Ocidental.

Em 1500 a Madeira tornou-se o maior exportador de açúcar do Mundo.

O açúcar madeirense era considerado de qualidade superior e muito apreciado na corte portuguesa, em Inglaterra e na Flandres.

Pequeno moinho de açúcar; Crédito: Jean Baptiste Debret
Pequeno moinho de açúcar; Crédito: Jean Baptiste Debret

No entanto, a vida dos escravos era marcada por condições extremamente duras, com longas jornadas de trabalho e um sistema de castigos e recompensas que visava manter a ordem e a produtividade.

Os escravos também desempenhavam outras funções na ilha, como trabalhos domésticos e artesanato, conforme as suas capacidades e necessidades dos colonos.

A relação entre colonos e escravos não era uniforme e podia variar de acordo com as circunstâncias individuais e as atitudes dos proprietários.

Alguns relatos históricos sugerem que, em certos casos, os escravos podiam negociar pequenas liberdades, como a possibilidade de cultivar as suas próprias parcelas de terra ou de praticar os seus costumes e religiões.

No entanto, essas concessões não alteravam a realidade da escravidão e a ausência de direitos fundamentais dos escravizados.

É um tempo histórico relevante para entender, não apenas a história da Ilha da Madeira, mas também a história global do comércio atlântico de escravos e do seu impacto nas sociedades contemporâneas.

Com o declínio da produção de açúcar na Madeira e a crescente pressão internacional contra o comércio de escravos, a situação começou a alterar-se no século XVII.

A gradual abolição da escravatura na Madeira refletiu as mudanças nas atitudes sociais e nas leis, levando a uma integração progressiva dos ex-escravizados na sociedade madeirense.

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