Forte de Santa Luzia em Elvas

Forte de Santa Luzia Elvas e a Guerra da Restauração


Forte de Santa Luzia

Mandado construir pelo Rei D. João IV, em 1641, na sequência da Restauração da Independência em 1640 e início da dinastia dos Duques de Bragança.

Tem um formato muito particular para a época, de traçado abaluartado, com as muralhas inclinadas que as tornavam impunes à artilharia.

Foi concluido em 1648, fazendo parte da estratégia portuguesa na guerra da restauração.

Casa do Governador

No topo do Forte de Santa Luzia está a casa do Governador. Dormia numa alcova e no centro da casa, sem divisões, há uma escada que vai até ao topo e pela qual um soldado subia para observar o que avistava em redor e transmitir ao governador. Com essa informação, o governador podia, atempadamente, chamar os soldados, que estavam nas casernas, para ocuparem as muralhas e defenderem a praça. O Forte de Santa Luzia teve um papel preponderante na Batalha das Linhas de Elvas.

Escada Vertical, Casa do Governador
Escada Vertical, Casa do Governador

O Contexto da Guerra da Restauração

O período Filipino em Portugal, durou 60 anos e foi marcado, sobretudo no reinado de Filipe III, pelo aumento de impostos para financiar as campanhas militares espanholas, e o recrutamento de portugueses para combaterem na guerra da Catalunha. A insatisfação e o sentido patriótico do povo culminou com a Restauração da independência a 1 de Dezembro de 1640 e explica a capacidade de resistência militar e sacrifícios das gentes lusas em todo o território nacional, durante a guerra da restauração.

Forte de Elvas, Baluarte Guerra da Restauração
Forte de Elvas, Baluarte Guerra da Restauração

D. João IV morre em 1656 e deixa a regência em testamento, a D. Luísa de Gusmão, que nasceu na Andaluzia, mas defendeu sempre a causa de seu marido e procurou, durante a sua regência manter a independência de Portugal.

Com a morte de D. João IV de Portugal e com a Catalunha novamente integrada no Reino Espanhol, em 1652, o Rei de Espanha decidiu-se novamente pela recuperação de Portugal.

Elvas, cidade fronteira com Espanha e a 200 km de Lisboa, era um objetivo estratégico para os Reis de Espanha.

O Cerco a Elvas

Linhas de Elvas e Forte de Santa Luzia
Linhas de Elvas e Forte de Santa Luzia – Foto: DGCP SIPA 00534348,1988

O Forte de Santa Luzia teve um papel preponderante durante o cerco à Cidade e ao Forte de Elvas pelas tropas espanholas, capitaneadas por D. Luís de Haro, em mais um episódio da guerra da Restauração.

Quando o cerco se iniciou em finais de Outubro de 1658, D. Luísa de Gusmão nomeou D. António Luís de Meneses, Conde de Cantanhede, Capitão General do exército para ir em auxílio da praça de Elvas. Depois de ter reunido 11.000 homens partem no início de janeiro, em auxílio dos sitiados no Forte de Elvas, onde resistiam cerca de 6.000 portugueses, tendo-se já perdido cerca de 5.000 vidas durante o cerco, sobretudo vítimas da peste que se alojou na praça.

O Forte de Elvas tinha uma cisterna para abastecimento de água mas, com o cerco tão longo, teve de haver racionamento. Alguns reabastecimentos e substituição de tropas, eram feitos por túneis, que escapavam à vigilância dos Espanhois.

Tuneis Labirinticos Forte de Elvas
Tuneis Labirinticos, Forte de Elvas

Batalha das Linhas de Elvas

A Batalha das Linhas de Elvas deu-se a 14 de Janeiro de 1659 e foi muito dura, com milhares de baixas de ambos os lados.

D. Luís de Haro que observava a batalha no local do atual Forte de Nossa Senhora da Graça, um local mais elevado e que lhe dava uma boa perspetiva da evolução da contenda, resolve após violentas 6 horas, retirar para Badajoz com a sua cavalaria.

A batalha só terminou de noite. Nos combates, ficaram feridos 600 portugueses e perderam a vida cerca de 200.

Os Tuneis no Forte de Santa Luzia
Os Tuneis no Forte de Santa Luzia

Mais tarde, em 1661, D. Afonso VI concede o título nobiliárquico de Marquês de Marialva a D. António Luís de Meneses, pela sua vitória nesta Batalha das Linhas de Elvas.

Maior Fortificação do Mundo

O conjunto do Forte de Elvas e todas as fortificações construídas em Elvas é considerado a maior fortificação abaluartada do mundo e classificado como Património Mundial da UNESCO desde 2012.

A Ronca de Elvas vai neste caminho…

Um balurte imponente e com tuneis labirinticos!

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