Higiene na Idade Média em Portugal

A Higiene na Idade Média em Portugal

A higiene é um conjunto de práticas que pretendem preservar a saúde e o bem-estar das pessoas. A higiene envolve aspetos que vão desde a limpeza do corpo, das roupas, dos sanitários, dos espaços onde se vive e trabalha, bem como a qualidade da água, alimentação e saúde. Na Idade Média em Portugal a higiene era muito diferente da que existe atualmente, não só na população em geral, mas também na realeza.

Tempo de leitura: 6 minutes

O Palácio Nacional de Sintra, por exemplo, foi habitado praticamente por todos os reis e rainhas de Portugal, por períodos mais ou menos longos e até ao século XIX. O que se sabe hoje é que, apesar da grandiosidade, não tinha sanitários.

Palácio Nacional de Sintra; Crédito: Diego Delso via Wikimedia Commons
Palácio Nacional de Sintra; Crédito: Diego Delso via Wikimedia Commons

Higiene na Idade Média

De facto, na Idade Média em Portugal não existiam escovas de dentes, perfumes, desodorizantes e muito menos papel higiénico.

Os sanitários eram raros e rudimentares. Nas casas mais pobres, as pessoas usavam um balde ou uma panela para fazerem as “suas necessidades”, que depois despejavam na rua ou num terreno baldio.

Nas casas mais ricas havia uma latrina, que consistia num buraco no chão com uma tampa de madeira e um assento. A latrina podia estar dentro ou fora da casa, mas geralmente ficava longe dos quartos e da cozinha. A latrina era esvaziada periodicamente por um serviçal que encaminhava os dejetos para fora da cidade.

Em dias de festa, a cozinha do palácio conseguia preparar banquetes para centenas de pessoas, mas as regras de higiene não existiam.

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Não existia higiene íntima, por isso o odor exalado pelas pessoas era fedorento.

As senhoras usavam saias enormes precisamente para conter o odor das partes íntimas e utilizavam leque para se abanarem.

História da moda europeia, Idade Média, 1400-1500; Crédito: HiSoUR Arte Cultura Exposição
História da moda europeia, Idade Média, 1400-1500; Crédito: HiSoUR Arte Cultura Exposição

O Banho na Idade Média

Também não havia o costume de tomar banho devido ao frio e à quase inexistência de água canalizada.

O banho tomava-se em ocasiões especiais, como festas ou feriados religiosos.

Os mais abastados podiam ter banheiras ou tinas em suas casas. Estas eram cheias com água aquecida em caldeirões e aromatizada com ervas ou flores.

O banho consistia em lavar as partes mais expostas do corpo, como as mãos, o rosto e os pés, com uma bacia de água morna e sabão. O sabão era feito de gordura animal e cinzas vegetais, e tinha, por isso, um cheiro forte e desagradável.

O banho era tomado individualmente ou em família, seguindo uma ordem hierárquica, primeiro o chefe da família, depois os homens, as mulheres e as crianças. Os bebés eram os últimos a tomar banho na mesma água, que já estava muito suja.

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A frequência do banho dependia da disponibilidade de recursos, do clima e das estações do ano.

Em geral, as pessoas tomavam banho menos vezes no inverno, quando o frio desencorajava o contacto com a água.

Idade Média em Portugal, Marquesa de Pombal, Crédito: Pintor não identificado via Wikimedia Commons
Idade Média em Portugal, Marquesa de Pombal, Crédito: Pintor não identificado via Wikimedia Commons

O mau cheiro era dissipado pelo abanador. Só os nobres tinham lacaios para abaná-los, para dissipar o mau cheiro que o corpo e boca exalavam, além de espantar os insetos.

Quem já esteve em Sintra admirou muito os belos jardins que, na época, não eram só contemplativos, mas “utilizados” para se fazerem as necessidades.

Jardins da Preta, Palácio Nacional de Sintra
Jardins da Preta, Palácio Nacional de Sintra

Para a maioria das gentes, alguns meses eram mais propícios para o banho, como maio, que antecedia a época dos casamentos em junho.

Com efeito, na Idade Média em Portugal a maioria dos casamentos ocorria no mês de junho. Na verdade, o primeiro banho do ano era tomado em maio e por isso em junho, o cheiro das pessoas ainda era tolerável.

Ainda assim, como alguns odores já começavam a incomodar, as noivas carregavam “buquês” de flores, junto ao seu corpo. Encontra-se aqui a razão de “maio” ser o “mês das noivas” e a origem do buquê de noiva.

A realeza era considerada um exemplo de higiene na Idade Média, pois tomava banho uma vez por mês, “precisassem ou não”.

Vestido típico Idade Média; Crédito Vertugadin via Wikimedia Commons
Vestido típico Idade Média; Crédito: Vertugadin via Wikimedia Commons

Alimentação na Idade Média

Aqueles que tinham mais posses possuíam objetos de estanho para servirem a comida e bebida. Alguns tipos de alimento oxidavam o estanho, fazendo com que muita gente morresse envenenada. Não se sabia que o estanho era tóxico.

Os copos em estanho eram usados para beber bebidas alcoólicas como o vinho. Essa combinação, deixava por vezes o indivíduo sem sentidos (numa espécie de narcolepsia induzida pela mistura da bebida alcoólica com óxido de estanho).

Alguém que passasse pela rua e visse uma pessoa estendida no chão poderia pensar que estivesse morto e por isso recolhia o corpo e preparava o enterro. O corpo era colocado sobre a mesa da cozinha por alguns dias e a família ficava em volta, em vigília, comendo, bebendo e esperando para ver se o morto acordava ou não.

Esta a origem do velório, que é a vigília junto ao caixão.

Saúde na Idade Média

A falta de sanitários e água corrente tinha grande impacto negativo na saúde das pessoas. Por isso, na Idade Média em Portugal, as doenças como a cólera, a disenteria, a febre tifoide ou a peste eram comuns.

Essas doenças eram causadas por bactérias ou vírus que se transmitiam pela água contaminada, pelo contato com animais infetados ou pelas picadas de insetos.

As epidemias eram frequentes e mortíferas, matando milhares de pessoas em poucos meses. A medicina da época era pouco eficaz para combater essas doenças, pois baseava-se em teorias erradas sobre o funcionamento do corpo humano e os agentes causadores das enfermidades.

Os médicos recorriam a tratamentos como as sangrias, as purgas, os eméticos e os clisteres, que muitas vezes só agravavam o estado dos doentes.

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